It Girl

19 02 2009

Demorei a reconhecer Guy Pierce no papel de Andy Warhol em Factory Girl. Minha ignorância perante a Pop Art como um todo, é consciente.  Bem sabia somente das partes mais populares mesmo, como latas de sopa Campbell e garrafas de coca-cola estilizadas como ícones de um movimento cultural onde fora proclamado que no futuro todos terão seus 15 minutos de fama.

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Mas Factory Girl (recuso-me a usar a ridícula tradução que deram ao título ) me fez querer saber mais.  Adoro ser tirada da zona de conforto em frente a tela de TV para submergir em outros ares. O filme em si não é nada demais. Um elenco bom, mediano, que não surpreende nem decepciona.

A estrela maior, claro, é a protagonista do enredo (e não do filme): Edie Sedgwick. Que Paris Hilton que nada, nem Amy Winehouse. Adicção sem glamour não dá. Edie encanta e deixa no chinelo qualquer história sobre pobres meninas ricas até mesmo por ser a própria titular da expressão. Décadence avec élégance é o termo certo para ela.

Rica e atormentada – foi abusada desde criança por seu pai opressor, sofreu com suicídio do irmão que declarou-se gay e ainda teve passagem por um hospital psiquiátrico enquanto adolescente -, Edie era herdeira de uma das maiores fortunas norte-americanas da década de 60. Estudou arte em Cambridge e desembarcou em Nova Iorque com seu ar natural de diva  para ser magnetizada pelo mundo surreal do designer e artista plástcio Andy Warhol.

Tornou-se a It Girl e levou glamour a Factory, o estúdio de criação artística de Warhol e toda sua trupe. Este local foi o berço de vários filmes de arte ons quais contracenava. Nada renderam financeiramente, mas muito deram o que falar. Aliás, Factory era A Fábrica de arte em cores, sonhos de filmes, de sons, de drogas, de tudo, tudo mesmo. Um antro de criação e alienação de todos os artistas que cercavam Andy Warhol.

Seu estilo de vestir-se e sua espontaneidade não demorariam a virar moda. As pestanas carregadíssimas, a maquiagem exagerada nos olhos e brincos enormes tornaram-se tendência para toda uma geração que vivia o caos do final da II Guerra Mundial, enquanto factory’s boys and girls viviam o êxtase das anfetaminas.

O cenário musical da época também sofreu influência da personalidade e  representativa imagem de Edie. A banda produzida por Andy Warhol, The Velvet Underground, possui uma canção ode a ela no cd The Velvet Underground & Nico chamada Femme Fatalle.

A Poor Little Rich Girl também foi musa inspiradora de  Bob Dylan, com quem teve um affair. O fim dessa relação seria uma das causas de sua queda profunda no uso de heroína.

“She takes just like a woman, yes, she does
She makes love just like a woman, yes, she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl.

Queen Mary, she’s my friend
Yes, I believe I’ll go see her again
Nobody has to guess
that Baby can’t be blessed
Till she finally sees that she’s like all the rest
With her fog, her amphetamine and her pearls.”

Bob Dylan supostamente vetou o uso de sua imagem no filme Factory Girl. Ainda assim, é incontestável a importância que teve na vida da socialite. No filme, o personagem que faz o papel de Bob, é contra a relação dela com Andy Warhol e também a forma como ele a usava como um objeto, uma verdadeira bonequinha de luxo.

O fim de Edith Sedgwick é tão trágico quanto sua trajetória é intrigante e estranhamente apaixonante. “Viveu pouco”, talvez muitos digam. 28 anos. Todavia, a intensidade desse viver ultrapassou qualquer compreensão. Ela continua sendo um ícone de estilo, loucura e carpe diem do final do século XX.





A bolha de Melvin Sokolsky

19 02 2009

Bubble on the Seine, Paris  [ 1963 ]

Bubble on the Seine, Paris 1963

“Embora ele seja mais conhecido por suas fotografias para editoriais de moda em publicações como Harper’s Bazaar para quem ele produziu, em 1963, a “bolha” – série de fotografias retratando modelos “flutuando” em gigantes bolhas de plástico claro, suspensas no midair acima do rio Sena, em Paris -, Vogue e The New York Times, o trabalho de Sokolsky não se limita a esse campo. Três quartos da sua produção fotográfica foram para a fins publicitários, os quais não têm, normalmente, uma assinatura. Sokolsky disse numa entrevista: “Eu fico ressentido com a postura de “Isto é um editorial e isto é publicidade”. Eu sempre pensei, por que separar uma coisa da outra? Por que não buscar sempre o full shot?”

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Olhar esse tipo de trabalho, datado do século passado ainda por cima, causa-me uma sensação gostosa  de ultrapassagem. Quantos trabalhos engavetamos e deixamos para “uma outra hora, um melhor momento” porque sob a nossa ótica certas idéias são difíceis de produzir, de aprovar ou principalmente, de sair do plano das idéias (agora já sem acento, afff)?

Beijomeliaga. Tô indo roteirizar um curta-metragem de uma moça da sociedade (?) paraense que decide viajar para Ilha do Marajó pelo Rio Amazonas num bolha. Será o must de todas as salas de cinema arte.

Sokolsky que me espere, rá!